Lendo Uma breve história do tempo, de Stephen Hawking, (conhecedores e apaixonados por buracos negros, me add. Não sou conhecedora, longe disso, mas que negócio interessante) vi que um físico austríaco chamado Wolfgang Pauli descobriu, em 1925, o princípio da exclusão. Pauli era, nas palavras de Hawking, “o arquétipo do físico teórico: dizia-se que sua simples presença em uma cidade bastaria para fazer os experimentos por lá darem errado!” (A exclamação também é de Hawking.) Em 1945, Pauli ganhou o Nobel pela descoberta que fez 20 anos antes.

Já um outro cara, um indiano chamado Subrahmanyan Chandrasekhar, que em 1928 era um estudante de pós-graduação que foi para a Inglaterra estudar com o astrônomo britânico Sir Arthur Eddington, um “especialista em relatividade geral”, Hawking fez questão de enfatizar, fez cálculos sobre o comportamento de estrelas frias que permitiram entender, por exemplo, em que condições surgem “anãs brancas” ou buracos negros.

Mas Eddington “ficou chocado” com uma das conclusões a que seu aluno chegou “e recusou-se a acreditar no resultado de Chandrasekhar. (…) A hostilidade de outros cientistas, em particular Eddington, seu antigo professor e principal autoridade no tema de estrutura das estrelas, persuadiu Chandrasekhar a abandonar essa linha de trabalho e se voltar para outros problemas da astronomia”, nos conta Hawking. Em 1983, o indiano ganhou o Nobel, especialmente por seu trabalho inicial sobre as estrelas frias. Aquele que as autoridades no assunto desacreditaram.

Moral da história: faz o teu e fica de boa. Ou joga pro universo, se você for um(a) jovem místico(a) / gostar de piada ruim.

Roteirista e jornalista

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